Vereador Kiko Brando vende carro irregular,
embolsa o dinheiro e entra para a lista
de estelionários e caloteiros
Passados oito meses de embromação e aborrecimentos, Edson Fernandes procurou o Juizado Especial de Pequenas Causas e moveu uma Ação Penal contra o vereador Kiko Brando. O número do protocolo é 2005.852.001440-7 e Brando será denunciado por estelionato se não devolver o dinheiro da vítima e cobrir os prejuízos financeiros e os danos morais que devem ultrapassar a casa dos dez mil reais. Paralelamente está sendo investigada pela Polícia Federal a procedência do veículo e quem é Aceli Ramos Pereira Anselmo - suposta proprietária -, para esclarecer se está havendo no Detran um esquema de legalização de carros irregulares ou roubados.
O automóvel Fiat Prêmio-87 foi vendido pelo vereador Kiko Brando ao servidor público Jorge Fernandez no dia 10 de maio. Um negócio que foi pago à vista mediante um empréstimo bancário, que trouxe apenas amolação e prejuízos financeiros ao comprador, pois não pode viajar com o carro ou vendê-lo porque a polícia considera o veículo roubado.
Foi por intermédio de um amigo que Fernandez tomou conhecimento de que o vereador Kiko Brando estava vendendo um carro Fiat Prêmio, sem imaginar que ao fechar o negócio estaria transformando a sua vida num inferno. Pagou com um cheque de 2 mil reais e recebeu as chaves sob a promessa de que no máximo em 10 dias os documentos seriam entregues, e mandou o carro para um banho de oficina, que o deixou novinho. Foram feitas lanternagem, pintura, trocas de cabos elétricos, troca de pneus e a colocação de insufilme.
Um irmão da igreja que Jorge Fernandez freqüenta ofereceu R$1.800,00 e um Chevete superconservado em troca do Fiat. Fernandez foi com o interessado à casa do vereador Brando, e ambos ouviram a promessa de que no máximo em 15 dias o documento estaria nas mãos deles. Explicou que o documento do carro estava sendo transferido para o nome de sua mãe Sônia Teixeira Brando, motivo da demora.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 01h26
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Mas os dias se passaram e se transformaram em semanas, e em seguida em meses, e nada do vereador entregar o documento. E a desculpa era sempre a mesma “comprei esse carro num leilão e transferi o documento para o nome da minha mãe, mas o juiz ainda não assinou a liberação de um inventário, e está atrasando tudo”. Depois disso, Kiko Brando começou a se esquivar do Fernandez e a se comportar como se nada tivesse acontecido, na maior cara-de-pau. Esse comportamento autoritário invadiu a casa do Jorge Fernandez e estressou a esposa e os filhos.
Jorge e o filho Edson começaram a cercar o vereador pela cidade e a ficar na porta da Câmara Municipal nos dias da sessão. Kiko Brando, porém, não se preocupava e sempre dizia que se o documento continuasse dando problemas, devolveria o dinheiro e os reembolsaria pelos gastos na oficina. Mas nunca fez nem uma coisa nem outra.
A demora estava se estendendo demais, e isso deixou o amigo do Jorge inquieto, pois havia comprado um carro e não podia colocá-lo na estrada porque a polícia o apreenderia. Uma situação constrangedora para ambas as partes, principalmente para um evangélico perante da igreja e dos irmãos. Até que no dia 18 de novembro Jorge não agüentou a vergonha que estava passando e num gesto digno devolveu os R$1.800,00 e o Chevete, assumindo os prejuízos.
Molecagem
Depois de uma séria discussão com o Jorge, Kiko Brando garantiu que pagaria com um cheque no dia 30 de novembro. No dia e na hora marcada, Edson Fernandez compareceu na Câmara e tomou um xá-de-cadeira por mais de 3 horas, até a chegada do vereador. Kiko deu uma de desentendido, com total cinismo e obrigou o rapaz a permanecer ali até o final da sessão.
Na saída, Edson interpelou o vereador e recebeu a seguinte resposta: “Está tudo certo, não se preocupe. Está vindo um amigo de Miguel Pereira com o dinheiro”. E ficaram na porta da Câmara esperando. Kiko virou-se para o Edson e o chamou para entrar no carro, para procurar a tal pessoa, e percorreram a cidade de ponta a ponta várias vezes, deixando o rapaz irritado com a aquela simulação.
No dia seguinte, quando Kiko Brando soube que a Tribuna do Interior publicaria o caso, imediatamente procurou o Jorge e deu a sua palavra de “honra” de que em dez dias o documento estaria na mão dele. Jorge lhe deu mais uma chance e pediu ao repórter de a Tribuna para segurar a matéria. Foram-se os dez dias, depois mais dez, e até a presente data Kiko Brando não entregou o documento ou devolveu o dinheiro. E não está nem aí porque tem imunidade parlamentar, foi o vereador mais votado e possui poder para fazer a injustiça suplantar os direitos constituídos.
Caso de polícia
Brando teria comprado um lote de quatro carros em um leilão que pode ser um esquema no Detran para a legalização de carros roubados. O golpe pode ter sido desarticulado em função das mudanças políticas nas últimas eleições. Segundo Júlio Corrêa e Castro, advogado do Kiko Brando, o problema está com um juiz de direito que ainda não assinou alguma coisa dentro de um inventário. Quanto ao leilão, nada se sabe, mas de acordo com uma agência que faz pregão de carros usados, nenhum veículo vai a leilão sem um recibo assinado pelo proprietário e muito menos alienado ou indocumentado.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 01h26
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Trem fantasma
Aceli Ramos Pereira Anselmo, suposta proprietária do carro, inicialmente foi dada como morta, mas hoje sua situação tributária na Receita Federal é ativa. O documento do carro está em nome dela, mas no CPF consta Aceli Porto Ramos, que pode ser seu nome de solteira.
O veículo está alienado a um financiamento no Banco Real, que não foi pago. E o número da identidade da Aceli na Receita Federal não confere com o número na ficha de clientes do banco. Sendo assim, até que tudo se esclareça, existe duas Aceli com o mesmo CPF e duas identidades diferentes. Na Rua Augusto de Vasconcelos, 163, Centro – Rio de Janeiro – onde supostamente a proprietária do carro mora, nenhum vestígio da existência dela foi encontrado.
Código de silêncio
O Banco Real não quis comentar o assunto e não forneceu os documentos, mas segundo um gerente da área de finanças, pode-se tratar de uma fraude. Explicou que havia um esquema em que se pedia um financiamento para a compra de um veículo, mas a documentação da pessoa era forjada ou clonada, e o carro na maioria das vezes pertencia a um órgão do governo Federal, que lhe deu baixa como sucata. Ainda segundo ele, esses carros eram repatriados e legalizados no Detran.
“Mas o banco não tomou uma providência porquê? Por que ficou com o prejuízo e não tomou o carro”, perguntou o repórter de a Tribuna. “Porque o golpe era bem montado e funcionários faziam vistas grossas. O carro era apresentado – sempre superfaturado – e o empréstimo concedido; a pessoa sumia com o dinheiro e não pagava, e o banco encaminhava o caso para o departamento jurídico, que pedia a busca e apreensão do veículo. Tomava-o – quando o encontrava – e o jogava num depósito, sem questionar se havia ou não irregularidade”, o gerente calmamente explicou.
“Então me diga como um carro que foi tomado pelo banco pode estar rodando por aí, sem o conhecimento do próprio banco. Como esse veículo saiu do depósito e está na rua?” Perguntou o repórter de a Tribuna. “Sinto muito, isto não sei responder. Sei que os carros tomados ficam nos depósitos, e os que não foram pegos rodam clandestinamente”. Respondeu com um tom de fim de conversa.
Fraudes
Se tudo se confirmar, o golpe consiste em pegar carros apreendidos pela justiça ou pela Polícia Rodoviária – aqueles que ninguém vai reclamar - ou mesmo os carros que foram dados como sucata nos galpões públicos, e passá-los para o nome de uma pessoa que não existe, e legalizá-los. Depois se vende o carro e transferem-se normalmente os documentos para o nome de quem o comprou. Ou então o usa para conseguir um empréstimo no banco.
Mas esse tipo de fraude só funciona com a participação de um funcionário do Detran. E o vereador Kiko Brando sabe muito bem disso, porque seu irmão César Brando foi diretor do Detran de Vassouras.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 01h25
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Crime de responsabilidade
Ao comprar quatro carros em um suposto leilão, pagar corretamente como qualquer cidadão direito tem o dever de fazer, e constatar que os documentos estavam irregulares, imediatamente o vereador Kiko Brando deveria ter procurado à polícia para denunciar a fraude: mas não o fez. Sabendo, porém, que os carros estavam com documentos frios, por que o vereador Kiko Brando os vendeu para terceiros? Por que o vereador Kiko Brando não chamou a polícia e devolveu o dinheiro ao Jorge Fernandez? De onde veio o dinheiro que ele utilizou na campanha? Essas perguntas foram formuladas para o vereador Brando, que se recusou a conceder uma entrevista ao jornalista de a Tribuna.
Seu passado te condena
Segundo amigos, assessores e cabos eleitorais, Kiko Brando teria gasto 150 mil na campanha para ser o vereador mais votado. Explicaram que a situação financeira dele era excelente, mas hoje está endividado até o último fio de cabelo. E sua decadência inicia-se na virada política em Vassouras quando seu irmão César Brando perdeu o cargo de diretor do Detran de Vassouras. A pergunta que o repórter de a Tribuna quis fazer e não pode, é de onde vieram os 150 mil, e de onde eles seriam tirados para a devolução.
Câmara Municipal
Kiko Brando costuma humilhar e ameaçar as pessoas, principalmente na Câmara Municipal onde tem imunidade parlamentar. E pelo andar da carruagem, para se instaurar um processo de cassação, o vereador terá de puxar uma arma durante a sessão e matar um eleitor. Caso contrário, nenhuma providência será tomada. E essas picuinhas de garrafada na cabeça do outro, cachaçadas, roubo, desvios de verbas públicas, quebra do decoro parlamentar, etc., não significam absolutamente nada.
No dia 11 de maio de 2005, Kiko Brando desceu da tribuna, atravessou o salão da Câmara e quase agrediu fisicamente a Dra. Denise Martuchelli, que estava sentada na galeria (área destinada aos visitantes). Apontou o dedo no rosto dela e disse “VOU FECHAR SEU BICO!” Depois, no fritar dos ovos quando o caso foi parar na justiça, Brando alegou que disse “VOU FECHAR SEU BINGO”. E para fazer valer essa saída pela tangente, realmente o fez. Fechou um bingo que sustentava 15 famílias e era o ponto de encontro do pessoal da 3ª Idade.
No dia 10 de outubro, Brando desmoralizou verbalmente o jornalista Márcio Vasconcelos, da assessoria de imprensa da Prefeitura, prejudicando o rapaz que entrou em depressão profunda. Seu pai, o Cel. Vasconcelos, um senhor com certa idade, também entrou na confusão, e a esposa do Márcio, que estava grávida, passou mal.
Quando o jornal Tribuna do Interior publicou corretamente a matéria sobre a garrafada que o vereador Rodrigo Paixão deu covardemente na cabeça de um estudante de engenharia, Kiko Brando foi à tribuna e chamou o repórter deste veículo de prostituto do jornalismo, vagabundo, etc. Pois no conceito dele a manchete deveria ter sido assim “Rodrigo Paixão quebra uma garrafa na cabeça de um estudante, que sorri todo ensangüentado, e agradece. A população vibra e carrega o vereador nos braços”.
Mas a personalidade do vereador Kiko Brando e a corrupção no Legislativo no período passado certamente foram reveladas por ele próprio ao pronunciar-se de maneira tempestuosa e ameaçadora na Câmara Municipal no dia 13 de junho de 2005:
“Antigamente quando havia problema com um vereador, todos se uniam e fechavam um pacto, mas isto hoje não acontece porque gente de dentro da Câmara Municipal deixa vazar informações para a imprensa; não sou nenhum santo, mas todos aqui tem o rabo preso!
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 01h24
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Caso Camila
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Morte de Camila é reconstituída
Familiares pedem justiça
Um dia depois da realização do referendo sobre a proibição do comércio de armas, o Ministério Público realizou uma reprodução simulada da morte da menor Camila Pereira Ramalho para montar o quebra-cabeça que envolve o caso e esclarecer se foi suicídio ou assassinato. Resultado das cobranças que vêm sendo feitas pela Assembléia Legislativa e por entidades ligadas aos Direitos Humanos.
Das 10 às 13h30 a Rua Nilo Peçanha situada no centro da cidade ficou fechada para o trânsito, atraindo a atenção de curiosos que se aglomeravam para assistir a movimentação policial. No dia 30 de julho, sábado, Camila recebeu um projétil calibre 38 na cabeça durante uma discussão com o namorado, e foi levada para a UTI do Hospital Universitário Sul Fluminense, onde faleceu no domingo às 23 horas.
O sol estava escaldante e o dia abafado, o que tornou o trabalho exaustivo. A Polícia Civil chegou ao local às 10 horas da manhã de 24 de outubro e começou os preparativos para a simulação. Estavam presentes a promotora de justiça Carla Carruba, o delegado José Soares, o investigador Paulo Herinque, a voluntária Laura Cristina, que substituiu a vítima, e os peritos Willian Gladstone Constant Júnior e Fernando da Silva Vidinha. O último citado compareceu apenas para acompanhar os trabalhos. Também estava presente a menor PLS, principal testemunha do caso, amiga da vítima. O policial Guilherme Couto Barboza apresentou-se duas horas depois acompanhado pelo advogado Ricardo L. Balthazar. A presença do Guilherme despertou a revolta nos familiares da vítima e criou um ambiente mórbido onde o pai chorava desesperadamente e exigia justiça; a esposa e os policiais pediam-lhe um pouco de paciência e tentavam acalmá-lo.
Um veículo Apolo semelhante ao carro do Gilherme foi estacionado no local onde ocorreu o disparo. Os peritos marcaram no paralelepípedo a posição em que a testemunha se encontrava e repetiram várias vezes o trajeto feito por ela até chegar e encostar-se na traseira esquerda do carro. Estudaram detalhadamente o interior do veículo e pediram à voluntária para entrar no carro, posicionando-a. Em seguida mandaram-na executar a cena do suicídio descrita por Guilherme.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 13h50
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Cena 1
Versão do Guilherme
Com o corpo virado para o motorista, a perna esquerda recolhida sobre o banco, a direita apoiada em cima da outra e dobrada ate o chão, e as costas quase encostadas na porta, Camila discutia com o namorado Guilherme. De repente surgiu na traseira do carro a menor PLS, que chamou a amiga, sem, entretanto, se aproximar para não ser desagradável. Guilherme abriu a porta, saiu do carro e ficou em pé com o corpo inteiro do lado de fora; ao ouviu o disparo assustou-se e não se moveu por alguns segundos, até voltar para dentro do veículo.
Num espaço apertado, Camila teria flexionado o corpo e agarrado dentro do porta-luva um revólver calibre 38, encostando-o na testa e apertando o gatilho.
Analisando o ato
Segundo testemunhas, Guilherme teria se envolvido com uma garota de Mendes, motivo que o teria levado a pedir o fim do namoro com a Camila. Mas ela não aceitou, desencadeando uma série de desentendimentos. No dia do ocorrido, entretanto, sabendo que vivia um conflito com a namorada, ainda assim ele teria deixado a arma no porta-luva.
A ação do suicídio desenvolveu-se no instante em que Guilherme abriu a porta do carro e ficou de costas para a vítima. Mas entre a porta se abrir e o disparo, há um tempo muito curto de alguns segundos, que os peritos comparavam para ver se a Camila teria como pegar a arma e efetuar o disparo.
Camila era uma menina de estatura pequena que, de acordo com os pais, jamais teve contato com arma de fogo. No entanto, ela teria conseguido apertar o pesado gatilho de um revólver calibre 38. Outro fato que chamou a atenção foi a vítima escolher a região frontal para o disparo, em vez da têmpora, ficando frente a frente com o revólver. “70% dos suicidas com arma de fogo escolhem a região do ouvido, 27% optam pela boca e 3% pela testa. Eles buscam no suicídio uma forma de extinguir uma agonia psicológica e ao mesmo tempo escandalizar a família e ferir o ser amado, punindo-os. Somente o último grupo citado tem coragem para se matar olhando para a arma, pois a natureza do homem possui o instinto de luta para sobreviver, e não para morrer. Camila Pereira Ramalho não era suicida, e sim alguém que teria se desesperado com a situação em que vivia com o namorado e decidiu tirar a própria vida, mas o tiro frontal não se enquadra nesse caso. Por outro lado, tem de haver um quadro clínico depressivo onde a pessoa sinta angústia, solidão, ira, decepção, etc.” Explicou via Internet o Dr. Romero Días, consultor em psicologia criminal e tendências suicidas da Universidade do México.
Segundo os pais, os amigos e os vizinhos que vivem em Pocinho – pequeno distrito de Vassouras -, Camila estava bem e nunca teve qualquer gesto incomum.
A posição que ela sentava com a perna esquerda recolhida sobre o banco e a direita passando por cima e dobrando até o chão, não lhe dava equilíbrio para virar o corpo e enfiar a mão no porta-luva, sem sair do lugar. Em contrapartida, o braço dela era curto e não tinha como alcançar o interior do compartimento, haja vista a distância entre o banco e o porta-luva ser aparentemente maior. A análise em tela sugere que Camila teria que sair da posição em que estava para poder dobrar o corpo, olhar para o interior do porta-luva e agarrar a arma. Como conseqüência, o tempo estimado aumentaria, principalmente porque depois de segurar a arma, a Camila teria que voltar à posição inicial para depois apontar a arma e apertar o gatilho.
Estando Guilherme em pé fora do carro, e o tiro ocorrido nesse momento, não haveria como ele efetuar o disparo a não ser a própria vítima.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 13h48
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Cena 2
Versão da testemunha
Camila pediu a mãe para passar o dia na casa da amiga PLS aqui em Vassouras, com o propósito de encontrar-se com o Guilherme e ir com ele a uma festa em Valença. Foram então os três, sendo que a menor PLS não conhecia o Gilherme. Em determinado momento da viagem, ela ouviu um tiro e viu o policial guardar uma arma dentro de uma bolsa que estava entre os bancos, e exclamar, “errei!”
De volta a Vassouras, Guilherme parou o carro na Rua Nilo Peçanha, em frente ao calçadão do Paqueras. A amiga desceu e foi para casa, que fica ali em frente, e deixou o casal à vontade. Mas como a conversa estava demorando demais, a Maria José Alves Lopes, mãe da menor PLS, ficou preocupada e mandou a filha buscar a Camila.
Ela parou na traseira do carro e chamou “Camila”. A porta se abriu e o Guilherme colocou um pé do lado de fora e ergueu parcialmente o corpo, com a mão esquerda dentro do veículo e a cabeça na altura da janela. Nesse momento ocorreu o disparo. Ele teria ficado imóvel por um momento e voltado para o banco do carro.
Analisando o ato
O disparo realizado anteriormente da janela do veículo sugere uma intimidação, pois foi feito sem mais nem menos, no silêncio. E quando o Guilherme diz “errei” pode estar subentendido ‘na próxima eu te acerto’. Ou tratou-se de uma brincadeira de muito mal gosto, principalmente porque havia outra menor presente.
Quanto à versão na qual ele estaria com um pé no chão e o corpo parcialmente do lado de fora e a cabeça na altura do teto do veículo, abre a possibilidade de um disparo realizado com a mão esquerda.
Outro ponto de estudo é o fato da Camila não responder ao chamado da amiga e tampouco não abrir a porta para dar uma satisfação. Ação que foi feita pelo Guilherme, em vez da vítima.
A reconstituição
Com a chegada do Guilherme, a cena pode ser montada. A promotora pediu-lhe que entrasse no carro e fizesse exatamente o que fez no dia do ocorrido. O policial ratificou que estava em pé fora do carro quando ouviu o disparo, e contradisse a versão da testemunha. A promotora perguntou-lhe se gostaria de mudar o depoimento, mas ele não quis. Então ficou assim:
Guilherme estacionou o carro e a menor PLS desceu e foi para a casa. Ele discutia com a namorada o fim do romance, quando escutou alguém chamar por Camila. Mas em vez dela sair, quem abriu a porta foi ele. Colocou o pé esquerdo no chão e com a mão apoiou na base da porta para erguer o corpo e ficar totalmente em pé. Escutou o estampido, vacilou por alguns segundos, e entrou no carro. A Camila estava com o corpo deitado sobre as pernas e com a cabeça no banco do motorista.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 11h46
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Ficha técnica
A arma utilizada foi um revólver Taurus calibre 38, de oito tiros e seis raias, e está registrada em nome do Guilherme Couto Barboza A bala encontrada na carenagem da porta do carona foi realmente disparada por essa arma. O exame residuográfico não encontrou chumbo e bário nas mãos da vítima (gases que são expelidos na combustão da cápsula e ficam na mão do atirador), o que afasta a possibilidade de suicídio. Mas o relatório, porém, ressalva que uma lavagem no hospital, por exemplo, apagaria os resíduos.
De acordo com um perito do Rio de Janeiro, que preferiu ficar em off porque o tema envolve um policial, há casos de homicídio em que o assassino tenta limpar as mãos para eliminar os vestígios, mas ainda assim o exame detecta. Disse que há como limpar as mãos, mas que fica restrito àqueles que têm conhecimento de armas de fogo e que premeditam o crime. Argumentou que no assunto em tela, a vítima não poderia se matar e depois lavar as mãos, e que o namorado também não faria isto, pois cairia a tese de suicídio e o principal suspeito seria ele próprio.
Segundo uma pessoa que não quer ser identificada e que estava de plantão no Hospital Universitário Sul Fluminense no dia do fato, todos os feridos por arma de fogo são tratados com cautela. Pois o corpo clínico ou ambulatorial têm instruções de como proceder, principalmente em se tratando de suicídio, que devem ser protegidas as mãos. “Não havia motivo para lavar sistematicamente as mãos da vítima em vista delas não apresentarem ferimentos” finalizou.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 11h43
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Notas fiscais falsas
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Reportagem e texto: Mario Randolfo
Contradições no caso Barreto:
Grupo Fiorella diz que notas fiscais são falsas
Mancada: Depois de afirmar que recebeu no Ministério de Agricultura
o até então prefeito Eurico Júnior e o até então secretário de Agricultu-
ra de Vassouras, Jorge Barreto, e dizer que se tratavam de pessoas
simpáticas, cativantes e inesquecíveis, funcionária aponta Wallace
Tadeu como sendo Barreto.
Tudo começou quando a Controladoria da Prefeitura desconfiou das notas fiscais emitidas pela Rádio Táxi Maranata, sediada em Brasília, e constatou que no intervalo entre uma nota e outra, de aproximadamente 22 dias, a letra e a caneta eram as mesmas, e o motorista também. Fato raro em uma empresa que tem alta rotatividade de táxi. Chamou a atenção as notas serem preenchidas com uma letra diferente da assinatura do motorista e ser idêntica à letra de um recibo de restaurante. A partir daí, uma análise minuciosa das prestações de contas do Eurico Pinheiro Bernardes Júnior e do Jorge Carlos Medeiros Gonçalves confirmou as fraudes.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h41
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Foram duas viagens a Brasília que oneraram os cofres públicos em cinco mil e novecentos reais, e em ambas existem irregularidades. Há também um conflito de versões que levantou suspeitas nas quais as viagens nunca ocorreram, ou um deles não viajou, ou dois, talvez, ou se tratou de coincidências e erros decorrentes da inexperiência. Mas nesse caso aplicar-se-ia apenas ao Barreto, haja vista Eurico Júnior ser um político veterano.
A pimenta malagueta desse caldo é o Barreto não se lembrar de nada e não haver um cerimonial de visita, ou um protocolo dos ofícios solicitando verbas para Vassouras, e não haver um registro na recepção dos locais por onde ele passou na Esplanada dos Ministérios. E a situação complicou-se ainda mais quando ele afirmou numa entrevista que fora a Brasília buscar recursos para a aquisição de uma patrulha agrícola, sendo que a funcionária que os teria recebido no Ministério da Agricultura, e tratou desse assunto, disse que eles reivindicavam uma máquina de tomate. Essa pessoa, porém, não soube fornecer detalhes de quem esteve lá, e quando recebeu um e-mail com as fotografias dos vereadores Jorge Barreto, Wallace Tadeu e Rodrigo Paixão, apontou o segundo citado como sendo secretário de Agricultura de Vassouras. Isto depois de afirmar que aquelas pessoas eram simpáticas, cativantes e que não haveria como esquecê-las.
Barreto afirmou também que esteve no gabinete do deputado Júlio Lopes, no Congresso Nacional, e no gabinete do senador Marcelo Clivella, no Senado Federal. Mas nem o deputado e nem o senador pronunciou-se sobre o caso. “Foi ingenuidade da minha parte, pois paguei por uma conta que não era minha; não lembro o nome de ninguém no Ministério da Agricultura e não lembro como entrei no Congresso Nacional; o Júnior vai me dizer os nomes e eu te passo por tel”, explicou-se Jorge Barreto durante uma entrevista.

Histórico:
Nas últimas eleições o prefeito Altair Paulino venceu o segundo colocado por uma diferença de 172 votos e foi reeleito. A coligação Avança Vassouras entrou com nove Ações na justiça contra Paulino, acusando-o de haver cometido crime eleitoral, e o juiz de direito Dr. Afonso Henrique Castrioto Botelho cassou-lhe o registro e diplomou o segundo colocado. Uma sentença polêmica que mexeu com a cidade e a colocou numa montanha-russa, principalmente porque o juiz Castrioto tinha problemas pessoais graves com o prefeito e por uma questão de ética não poderia julgá-lo.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h41
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Altair Paulino, porém, entrou com um Mandado de Segurança e cassou a diplomação de Júnior, ficando tudo no mesmo lugar. No dia 11 de abril foram colocados na pauta do Tribunal Regional Eleitoral cinco medidas cautelares e o Mandado de Segurança concedido ao prefeito Altair. O resultado foi a vitória de Eurico Junior por 3 votos a 2. Júnior assumiu a Prefeitura com a certeza de que a situação já estava definida, e totalmente endividado começou a mostrar serviço. Mas Altair Paulino entrou com uma liminar de inconstitucionalidade e reassumiu, pegando de surpresa o prefeito em exercício.
Foi nessa reviravolta política que as prestações de contas do Júnior em vez de passarem pelas mãos do secretariado que ele próprio nomeou, caíram de pára-quedas no colo do Controlador nomeado por Paulino - aquele que controla, corrige ou regula os gastos da Prefeitura.
A primeira viagem
Enquanto esteve no poder, Eurico Júnior organizou festas, principalmente a Festa de São Jorge que teve um gasto histórico de 20 mil Reais, e foi a Brasília para tratar de assuntos de interesse do “município’. Viajou no dia 27 de abril com a primeira dama Jeane Bernardes, e passaram dois dias lá. Jeane era secretária de Ação Social e teria ido para tratar de assuntos de sua secretaria. Mas não há um relatório ou qualquer informação acerca de audiências e dos resultados obtidos lá. E ao que tudo indica, o casal teria saído por conta do vento, sem nada concreto ou agendado, para correr atrás dos recursos quando estivesse lá. Mas para quem conhece os bastidores políticos de Brasília e seus entraves, sabe que mesmo quando se tem agendado as audiências, o caminho é longo e requer tempo e muita negociação.
Outro fato que chama a atenção é o tempo que se perde para organizar uma secretaria, desenvolver projetos e implementá-los. Isto, às vezes, demora vários meses, mas Jeane assumiu a Secretaria de Ação Social no dia 12 de abril e 16 dias depois já estaria em Brasília reivindicando verbas sem conhecer a realidade administrativa e financeira de sua pasta. Mas a Prefeitura passava por uma auditoria e estava com os trabalhos paralisados.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h40
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Viagem fantasma
Para tratar de assuntos de interesse do município – não especificados-, o até então prefeito Eurico Júnior viajou para Brasília no dia 17 de maio. No dia seguinte, 18, o secretário de Agricultura Jorge Barreto também viajou para o Distrito Federal em busca de recursos para a aquisição de uma patrulha agrícola (1 retroescavadeira, 1 patrol, 2 tratores, 1 caminhão e 1 saveiro). Segundo informações do Ministério da Agricultura, o assunto em pauta não foi a aquisição de uma patrulha agrícola – que beneficiaria todos os distritos - e sim uma máquina de tomate. Do mesmo modo não soube informar quem exatamente esteve lá, haja vista não haver o registro deles na recepção e muito menos na Secretaria de Cooperativismo. É certo que Jorge Barreto entende de agricultura porque é um produtor de tomate, e quanto à máquina de tomate solicitada, ele tinha interesse pessoal. Mas todos os indícios demonstram que ele não esteve em Brasília.
Apartamento duplo
No dia 17 de maio Júnior hospedou-se no hotel ST. Peter Hotel Palmeira, onde permaneceu até o dia 20. Jorge Barreto teria chegado no dia 18 e hospedado-se no mesmo hotel. Teriam dividido o mesmo apartamento, mas a nota fiscal cita apenas 1 pessoa. No entanto, no dia 19 quando ele foi fechar a conta para vir embora, pagou a diária do dia 17. Mas não havia como ele pagar a conta do dia 17 porque nesse dia ele estava em Vassouras.
A nota fiscal nº 83108 está em nome da Prefeitura de Vassouras, mas aparece na ficha de identificação o nome Eurico Bernardes Júnior. Não há, porém, o registro de Jorge Barreto ou algum elemento que comprove a presença dele naquele dia no hotel. De acordo com as explicações da recepcionista Cláudia, não há como o sistema confundir um apartamento individual com um duplo, e dificilmente uma pessoa passaria a noite lá sem estar devidamente registrada.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h40
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O táxi
Júnior e Barreto foram a Brasília para tratar de assuntos distintos, em locais distintos, cada qual na sua área. Usaram, porém, o mesmo táxi e na mesma hora, contrariando a lei da física que estabelece que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar e o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Pelo número de corridas e o táxi à disposição, a nota de R$180,00 mostra nitidamente que o serviço foi prestado para apenas uma pessoa, e não para duas, conforme declarou Jorge Barreto. Pois em média uma corrida do aeroporto ao Plano Piloto custa entre 23 e 30 reais, e se for contada a primeira ida ao hotel, depois ao Ministério da Agricultura, de lá à Assembléia Legislativa, o retorno ao hotel e no dia seguinte uma viagem ao aeroporto, chega-se a uma média de R$110,00 que, somada ao tempo de espera do motorista , vai ficar em torno dos R$170,00. Isto seguindo o caminho percorrido pelo Barreto, já que o caminho do Eurico Júnior não foi encontrado e não entrou nesta soma. Entretanto, apesar da inexistência de elementos que comprovem os serviços prestados ao até então prefeito de Vassouras, ainda assim um recibo de R$200,00 entrou na prestação de contas.
A nota apresentada vem preenchida com uma letra, e os dados e a assinatura do motorista com outra. Chama a atenção na nota anterior referente à viagem do Júnior e esposa no dia 28 de abril, a utilização da mesma caneta, a mesma letra e o mesmo preenchimento e assinatura do motorista, como se ambas tivessem sido feitas no mesmo instante, quando na realidade são 21 dias de diferença. Chama a atenção também a caligrafia ser semelhante a da nota fiscal emitida pela churrascaria Picanhas do Sul. Segundo o funcionário Robson, da Rádio Táxi Maranata, as notas ficam com os motoristas e são preenchidas por eles do princípio ao fim.
O Avião
Em vez de o Eurico Júnior apresentar as passagens aéreas, apresentou o ticket de embarque que não vale nem como recibo e muito menos como nota fiscal. Até o fechamento desta edição, a Tam ainda não havia localizado as passagens, e segundo um funcionário que não quer ser identificado, existe a possibilidade de se tratar de uma passagem de cortesia.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h40
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Assembléia Legislativa
Jorge Barreto disse em entrevista à imprensa que esteve na Câmara dos Deputados e reuniu-se com o deputado Júlio Lopes. Mas a assessoria do deputado não quis comentar o assunto, alegando que por lá passam muitos políticos, e que seria difícil responder corretamente.
O Congresso Nacional é dotado de um sistema de identificação digital e catracas eletrônicas, onde só entram pessoas cadastradas. Este controle é feito pela polícia interna. Aconteceu que Jorge Carlos Medeiros Gonçalves não tem cadastro lá e jamais passou pela câmera de identificação. E se não entrou no prédio, não havia como ele se reunir com o deputado Júlio Lopes.
Senado Federal
Jorge Barreto afirmou que esteve no Senado e se reuniu com o senador Marcelo Clivella. Mas a assessoria do senador também não quis falar sobre o assunto, alegando que por lá passam muitos políticos, e que não haveria como identificá-los.
Os prédios do Senado Federal e da Câmara dos Deputados são interligados e monitorados pelo mesmo sistema de identificação e segurança. Sendo assim, como o nome do Barreto não existe lá, não há como ele ter ido ao gabinete do senador Clivella.
Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h39
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Restaurante Fiorella
Na primeira viagem a Brasília ocorrida no dia 18 de maio, Eurico Júnior e sua esposa Jeane teriam almoçado no restaurante Fiorella, situado no 10º andar na Câmara dos Deputados. Teriam gasto R$100,00 e recebido a nota fiscal 80366. Nesse mesmo dia teriam jantado e gasto R$75,00, recebendo a nota fiscal 82236. E pela numeração vê-se nitidamente que entre o jantar e o almoço o restaurante Fiorella emitiu mais de duas mil notas fiscais, o que vem a ser impossível.
Na segunda viagem ocorrida no dia 27 de abril, Eurico Júnior e Jorge Barreto teriam almoçado no mesmo restaurante e sacado uma nota fiscal de R$100,00, na qual a numeração é 82233. O problema foi que esta numeração é inferior a numeração da nota tirada 21 dias antes, o que vem a ser um fato atípico e uma irregularidade gravíssima.
Retrospectiva
Ao confirmar em entrevista coletiva o pagamento de propina para manter a concessão do restaurante Fiorella na Câmara dos Deputados, o empresário Sebastião Augusto Buani pipocou um novo escândalo político em Brasíla e provocou a renúncia do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que, na época, era primeiro-secretário. Buani chorou, disse que entregou ao deputado cerca de 110 mil até 2003, e explicou que aceitou aquelas condições porque havia fechado outros restaurantes que possuía, ficando sem opção.
Por mais incrível que possa parecer, provando mais uma vez que Vassouras é um lugar onde tudo acontece, três notas completamente frias desse famoso restaurante foram parar nas mãos do até então prefeito Eurico Pinheiro Bernardes Júnior e do até então Secretário de Agricultura, Jorge Carlos Barreto.
A CPI que vai apurar as irregularidades deste caso conta com 6 assinaturas e deverá ser aberta no dia 24 de maio.
O Ministério Público também está atuando e já encaminhou diversos pedidos de informações a Brasília.
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Escrito por Mario Randolfo Marques Lopes às 23h39
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